CDC #156 – Drama

Drama

Sempre que posso espalho pelos quatro ventos o quanto eu sou fã de Raina Telgemeier! Falei de Sorria e Irmãs em colunas passadas, ambas lançadas pela Devir e agora chegou a hora de falar do seu último lançamento da autora por essa editora aqui no Brasil, antes de passar para os cuidados da editora Íntrinseca. Até agora gostei de tudo que Rainda lançou, mas Drama é o meu preferido!

Se em seus outros trabalhos a autora seguiu pelo caminho auto biográfico, aqui ela se arrisca um pouquinho mais nas águas da ficção. Ainda assim, ela não vai muito longe: misturando elementos de sua vida no colegial, Telgemeier conta a história de uma garotinha muito verdadeira que poderia muito bem ser uma pessoa de verdade.

O título do livro é um trocadilho: “Drama” tanto pode servir para descrever o teatro (que é inglês pode ser referido como “drama”, no sentido de “artes dramáticas”), tanto quanto pode servir para descrever o superlativo emocional para os problemas corriqueiros de um adolescente em fase de crescimento.

A protagonista trabalha na companhia de teatro da escola. Mas numa área que não costuma ser representada na maioria dos filmes adolescentes de sessão da tarde: ela trabalha nos bastidores, fazendo os cenários das peças. Isso, por si só, eu já achei muito curioso e interessante. Realmente, não dá pra todo mundo ser ator ou protagonista. Tem muita gente envolvida na hora de levantar um espetáculo teatral (mesmo um na escola). Tendo estudado no Tablado (escola de teatro do RJ onde eu cresci e hoje dou aula), sempre vivi nesse entorno, onde todos eram responsáveis por tudo, alguns ajudavam no figurino, todos montavam cenário, pintavam o palco, etc. Então pra mim foi particularmente interessante ver esse universo sendo representado. Claro que o interesse da trama não se reduz a isso, nem de longe: a protagonista sofre de amores não correspondidos, prazos curtos, encheção de saco de outros meninos, tem de tudo. Tem até um espaço muito bacana para discutir a descoberta da inclinação sexual nessa idade, o que pode ser uma leitura muito útil pra quem está crescendo, independente do sexo.

A arte da Raina segue firme e forte, com seu estilo cartunesco de sempre, que lembra muito o Bill Waterson, de Calvin & Haroldo (uma nítida influência para ela). Os capítulos são separados por atos, como em uma peça. Todo o conceito do livro é muito bem amarrado e providencia uma leitura leve, divertida e muito fluída.

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil
  • Volume único
  •  Leitura unissex
  • Minha esposa gostou! (Não só gostou, como virou um de seus preferidos, leu mais de uma vez e não queria que acabasse! Até brigou comigo, como se eu tivesse alguma culpa) -> SELO MARI DE QUALIDADE!
Tô Lendodesvantagens
  • Não espere nada muito profundo ou sombrio, é uma leitura destinada ao público adolescente (embora não exclusivamente)
  • Acaba rápido (minha esposa me obrigou a escrever isso)
  • A capa, apesar de boa, não é tão convidativa se comparada a qualidade da leitura. Tem uma leve carinha de livro paradidático, de instruções de sobrevivência em avião, essas coisas.

Uma pena que a Raina Telgemeier não seja tão conhecida por aqui quanto ela é lá fora, mesmo já tendo quatro livros publicados no Brasil. Bem, eu estou fazendo a minha parte! Agora faça a sua: divulgue essa coluna para todo mundo e movimente a área de comentários aqui embaixo com a sua opinião!

Até a próxima e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
Drama
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2020-11-03T14:22:14+00:00 4 de novembro de 2020|0 Comentários