CdC #15 – Preacher

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CDC #15 Preacher Garth Ennis Steve Dillon Glenn Fabry

Essa é uma história meio bizarra, mas que vai fazer sentido no final! Eu estava entrando no aeroporto, entrando no avião, quando senti um aroma do meu passado. Eu não lembro exatamente se era um perfume, um tipo de sabonete, mas eu sei que me fez imediatamente viajar no tempo. Me vi com clareza morando novamente na casa dos meus pais, lembrei do meu quarto, de quem eu namorava na época e lembrei o que eu estava lendo no momento: Preacher do Garth Ennis e do Steve Dillon. E o que mais me surpreendeu dessa viagem no tempo que eu fiz na minha cabeça foi a constatação de que se eu conseguisse de fato realizá-la, a primeira coisa que eu ia fazer não ia ser revisitar a minha ex-namorada, não seria aproveitar os confortos da convivência de papai e mamãe, seria pegar a minha leitura pra descobrir o que me aguardava a seguir. Porque Preacher é bom assim.

A história é a seguinte: um pastor desacreditado com o seu ofício de repente é atingido por uma entidade bizarra, filho do cruzamento de um anjo com um demônio (ei, eu também achei que anjos não tinham sexo, mas aparentemente isso não impediu o casal…). Essa entidade confere um poder para o tal pastor, que é a voz de Deus. Tudo que ele fala com essa voz de Deus, é obedecido sem questionar. Munido desse poder incomensurável, nosso herói decide tomar a atitude mais lógica que um ser humano poderia tomar – encontrar Deus (literalmente, fisicamente, oficialmente) e perguntar “Qual foi?”. Essa é a premissa de Preacher, que ao longo dessa jornada vai se desdobrando pra tudo quanto é lado, contando o passado do protagonista (porque ele estava desacreditado com os mandamentos do nosso senhor), o reencontro com o amor da sua vida (a namorada mais bad ass que um nerd poderia sonhar em ter), acrescentando um vampiro Irlandês e uma organização religiosa que quer fazer de tudo para pegar o Pastor e a entidade, além de um sem número de bizarrices pelo caminho.

Não é à toa que esse foi o título que lançou o Garth Ennis ao estrelato. Ele já vinha fazendo bastante sucesso com sua fase em Hellblazer junto com o Steve Dillon, mas foi nesse título que ele pode botar suas manguinhas de fora, testar conceitos e ideias malucas de personagens ainda mais estranhos, porém desconfortavelmente reais.

A arte do Steve Dillon não é dada a grandes firulas e espetacularidades, ela é direta ao ponto. Não sei se faz sentido isso, mas eu acho que ele tem um traço bem masculino (se até os anjos têm sexo nessa história, por que não o traço?). Parece que quem desenha é o Chuck Norris. Até as mulheres tem uma certa cara de homem. Mas, mesmo assim, a arte empolga e ele imprime um realismo importante para te ajudar a mergulhar na trama e vivenciar absurdos com aqueles personagens.

CDC #15 Preacher Garth Ennis Steve Dillon Glenn Fabry

Eu sei que eu costumo sugerir coisas mais obscuras aqui na Caverna, mas Preacher merece todas as indicações. Talvez eu tenha sido levado por essa viagem no tempo que eu tive no aeroporto, não sei. Mas se por um acaso você está entre as poucas criaturas que nunca leu Preacher, olha… você não sabe como eu te invejo. O que eu não daria para viajar no tempo e ler Preacher pela primeira vez como você vai poder fazer agora! E aposto que, logo logo, você vai querer viajar no tempo também…

Tô Lendovantagens
  • É uma série fechada. São 8 encadernados, se eu não me engano que reúnem as 66 edições avulsas (não, não é uma coincidência!), sem contar com as edições especiais (todas elas estão incluídas nos encadernados, dentro de uma ordem sugerida de leitura, então pelos encadernados você pode ler sem medo.
  • Foi publicada no Brasil, na íntegra, pela Panini! Também foi publicado por um milhão de editoras diferentes, todas elas com uma promessa de publicar a série até o final. Ou seja: opção é o que não falta! Você pode penar pra achar um volume ou outro, mas não é – nem de longe – tão impossível de completar como era alguns anos atrás…
  • A leitura flui que é uma maravilha, você sempre termina um capítulo DESESPERADO pra ler o capítulo seguinte!
  • A jornada te leva para lugares bem inesperados e não visitados no mundo dos quadrinhos. Você tem uma sensação de terminar a leitura mais velho e sábio.
  • O final não decepciona, ele te dá tudo que ele promete e não deixa pontas soltas.
  • Acho que é uma excelente leitura unisex e possivelmente uma boa escolha para catequizar novos leitores de quadrinhos.
Tô Lendodesvantagens
  • Apesar de ter sido publicado no Brasil, eu acho que o texto fica melhor em inglês, com uma porção de palavrões originais e descrições de sotaques que te fazem “ouvir” os personagens (mas, verdade seja dita, eu não li a versão da Panini).
  • Essa não é uma história pra quem tem estômago fraco, definitivamente. Embora o Garth Ennis tenha ficado muito mais cruel com o passar dos anos, essa revista ainda tem momentos de torcer o nariz, ainda mais para um marinheiro de primeira viagem. Então escolha bem pra quem que você vai emprestar isso aí!!
  • As edições encadernadas aqui saíram em capa dura. Não chega a ser exatamente uma desvantagem, mas eu odeio capa dura.
  • O primeiro arco, A Caminhos do Texas, é um pouco duro, da uma sensação de piloto da série, em que os autores e atores ainda estão se encontrando. Arriscaria dizer que é até um pouquinho chato, com muito texto, uma separação de cores meio escura e a arte ainda a caminho da sua melhor forma. Mas depois que passa dele, é só tiro porrada e bomba! Então vai na fé, que vale a pena!

Bem, é isso! Se você já conhece Preacher, suas impressões serão bem vindas! Se não, qualquer dúvida, eu terei o prazer em responder.

Boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
CDC #15 Preacher Garth Ennis Steve Dillon Glenn Fabry
CDC #15 Preacher Garth Ennis Steve Dillon Glenn Fabry
CDC #15 Preacher Garth Ennis Steve Dillon Glenn Fabry
CDC #15 Preacher Garth Ennis Steve Dillon Glenn Fabry
CDC #15 Preacher Garth Ennis Steve Dillon Glenn Fabry
CDC #15 Preacher Garth Ennis Steve Dillon Glenn Fabry
2018-04-25T15:35:26+00:00 25 de abril de 2018|35 Comentários
  • Jean Carlos

    Que dica foda Caruso, essa dupla Garth Ennis e Steve Dillon revolucionaram o mundo dos quadrinhos nos anos 90.

  • Léquinho Maniezo

    Porra, Preacher é sacanagem, ai é pedir textão enaltecendo essa seriezona kkkk. E sejamos francos, é MUITO do caralho, é na dose certa da aventura extremamente violenfa e o acido característico do Ennis. Confesso que algumas histórias do Ennis me cansam um pouco (The Boys), mas nessa epoca ai era so amor (ou ódio); e sobre o Steve Dillon, é simplesmente o homem q me faz acredirar q eu consigo desenhar um dia. Que traço simplao, mas que excelente na função dele, é o arroz com feijão mais gostoso do planeta.

    Sobre a saga em si, o primeiro arco é realmemte arrastado, apesar de ja ter la.o cara de cu e o santo, q são mto legais e faziam meu eu adolescente se divertir horrores. Uma das partes q eu mais gosto é a daquela velha da infância dele e do cara q não é afetado pela palavra, morri de amores ai.

    Bom, ja escrevi demais. Adorei sua história ai e é maravilhoso esses momentls onde a gnt volta no tempo e lembra de uma obra (no meu caso ainda não tenho muito o que lembrar). Abraço e espero q tenha feito uma boa viagem

    • The Boys nunca tive coragem de ler e acho que eu não quero isso pra minha vida não…

      • Léquinho Maniezo

        Puta eu acho um saco, é meio q a zoada que o hitman da, so que num nivel sem noção

  • Capitão CoruJão

    Li muito pouco, não sei pq. Achei legais vários personagens, tipo o Cara de Cu e o Sr Stark ( é esse o nome, o careca eunuco que só se fode ? ). Tem a família caipira que se auto procria a si mesmo internamente. Gostava do Cassidy, muito escrotão, e não consigo acreditar que na série de tv ele não usa óculos o tempo todo. Depois falam da afroValkiria, mas isso sim é uma ofensa. Os diabos mandando o Santo dos Assassinos embora do inferno porque o bicho era ruim demais foi muito bom. Nunca li sistematicamente, só o que saía em mixes ou que parava na minha mão. Vou ver se me arruino de vez e começo a colecionar os encadernados. Também não curto capa dura, o meu preferido são os mixes bem variados, tipo as falecidas Pixel Magazine, Vertigo da Panini ( sem o Sandman dos pobres ) ou Dredd Megazine. Como não existe mais espaço editorial para esse tipo de hq, o negócio são encadernados com capa cartão. Por que caralhos eu quereria uma hq whatever de capa dura? Ninguém vai ver essa coleção empilhada nas minhas estantes, vai ocupar mais espaço, são mais pesadas e difíceis de ler ( é, seu gourmetizador de merda, as hqs são para ler, não são quadros para decorar sua lamentável sala com estantes cheia de gibis e bonequinhos que é motivo de piadas e risinhos dos seus chegados e de lamentação por sua família ). Aliás, o Steve Dillon desenhando parece um desenho animado em stop-motion com Playmobils e fundos de cartolina pintada.

    • Belo desabafo, jovem!

      OUVIRAM, GOURMETIZADORES??? O U V I R A M ?????

  • Lionel Leal

    A capa dura me afastou também.
    Preacher é um clássico e tenho certeza de que vale, mas o preço desses encadernados me obriga a montar a coleção beeeem lentamente.

    • É fueda, Lionel! Mas essa vale a pena, hein? Devagar e sempre, de promoção em promoção, você chega lá. Fica ligado na Amazon, na Saraiva e nos Black Fridays!

  • Gabriel Ferreira

    Preacher é a melhor coisa que já li em quadrinhos
    Garth Ennis e Steve Dillion são dois monstros sagrados

    • Concordo contigo, Gabriel! E ainda acho que o Garth Ennis é um pouquinho mais “monstro” do que “sagrado” Rs

      • Gabriel Ferreira

        Sou obrigado a admitir
        ele realmente é um monstro AUHAHUAUH
        Espero que tenha indicação do Justiceiro dele!

        • Tá na fila, Bem Vindo de Volta Frank é muito bom!!! Mas tem muita coisa na frente ainda…

  • Aí sim! Tinha tempo que eu não comentava, por falta de familiaridade com os quadrinhos, mas, esse é um clássico hein, além de ser bem acessível.
    Curto muito o trabalho do Ennis e do Dillon, apesar de a arte do Dillon ser meio estranha, combina muito bem com preacher, essa mistura de mundano com absurdo cai bem demais no estilo dele.
    Já vi muita gente que gosta de comentar muito sobre a escatologia e a violência no trabalho do Ennis, mas, acho que o que mais me atrai são os momentos em que ele tem o feeling perfeito pra trazer algo sutil e belo, como tudo que envolve o John Wayne em Preacher e a relação do Tommy (Hitman) com o Superman. Sinto que ninguém tem tanta mão pra unir o absurdo com o real quanto o Ennis. Ótima indicação.
    Muito triste o mundo dos quadrinhos ter perdido o Dillon, que era o par perfeito do Ennis, mas, bola pra frente, só resta lamentar.
    (PS: OLHA A INDICAÇÃO REQUENTADA AÍ GENTE!!!!!)

    • Muito bem colocado, Iago!
      Hitman ainda é um buraco no meu currículo que está chegando a hora de sanar. Minha próxima empreitada.
      Quanto ao seu PS: semana que vem tem coluna inédita! Estamos sempre intercalando! (MAS NAS INÉDITAS VOCÊ NUNCA COMENTA, NÉ????? FAZER O QUÊ)

      • DINHEIRO CARUSO, fora que tem coisas que são praticamente impossíveis de achar.
        Hitman é interessante, mas, ainda é bem difícil de achar tudo. Aquele formato que saiu por aqui, ficou pela metade e é extremamente caro, me arrependo de não ter guardado os que comprei na época, dá até um desanimo.
        Vou tentar comentar com mais frequência. KKKKKK

  • Bruno Messias

    Eu já comentei isso antes, mas vou repetir: é nessas horas que é dificílimo ser um nerd/crente…
    Fica o buraco no meu currículo.

    • Marco Alonso

      kkk

    • Hahahaha Putz, cara! Que droga!! Não vale nem como, sei lá, estudo antropológico??

      • Bruno Messias

        Com esse argumento que eu li, pelo menos, a edição especial que conta a origem do Cara-de-#+.

  • Marco Alonso

    Bela dica!

  • Capitão CoruJão

    Descobri na rede mundial de computadores que o Glenn Fabry pinta suas capas do Preacher com tinta hipnótica e faz com que a gente leia as hqs desenhadas pelo Dillon alucinando que são desenhadas e pintadas pelo Fabry.
    Malditos ninjas desenhistas! Mal consigo ver seus movimentos!

  • FafATC

    Vim lá do MDM pra dar uma olhada, vi gente pelada, resolvi ficar.

    • Fico feliz! Quando estiver com um tempinho, compartilhe suas opiniões sobre as indicações e participe da conversa! Abs

  • Jefferson Barros

    Espetacular !!!

    Eu vou ser um desses “SORTUDOS” de ter essa experiência de leitura pela a primeira vez – Ganhei várias edições avulsas aqui de Preacher, mas como não estão em ordem, não quis estragar minha expectativa lendo algo “quebrado” – Porém estou comprando os 3 primeiros volumes da Panini e não vejo a hora de embarca nessa ‘Insânia Loucura em busca de Deus” !!!!

    • Eeeeeita! Parabéns! Boa viagem, Jefferson! Não deixa o início mais lento te abalar! Vai na fé! Abração

  • Jhonathan

    Me sinto um lixo por nao ter terminado a leitura. Eu comprei alguns numnúme ali na sebo da presidente vargas, Caruso. Sebo que tu já falou no MDM que compra HQ tbm.
    Eu não quero terminar de ler online. Acho um pecado (mesmo sendo preacher) ler online.

    E sim, ouvinte do MdM kkkkkkk.

    • Olhaaaaaí! Você foi na Academia do Saber na Avenida Passos?? O dono, Rodrigo, é muito gente fina! Fala pra ele que eu tô divulgando a livraria dele! (Acho difícil ele dar um desconto, mas pelo menos um sorriso você ganha!)
      Quanto ao Preacher, o jeito é esperar entrar em desconto! Fica ligado na Amazon e na Saraiva, que você ás vezes acha! Eu já encontrei a coleção quase completa, por cinquenta reais cada, numa banca enorme na Barra naquele complexo do Free Way. Não sei se ainda está lá, mas se um dia você estiver “de viagem” pelos arredores, tenta a sorte!
      Abração

  • Steve Dillon e John Romita é osso, segura essa preciosistas.