CDC #149 – Demo

Demo

Descobri o Brian Wood através do Renatinho, amigo de Santos, que me deu Local de presente. Assim que eu terminei a leitura, tratei de entrar na internet e encomendar DEMO, seu trabalho anterior. Não poderia ter tomado decisão melhor! (Quer dizer, até poderia: me exercitar, comer bem, cuidar da saúde, investir em imóveis… Mas, enfim, leituras são boas decisões também, não importa o que meu médico ou gerente de banco digam)

Demo tem uma dinâmica bem interessante: cada história é um one-shot diferente, completamente independente, de uma pessoa normal que ganha algum super poder maluco. A única coisa que liga essas tramas é a presença de um super poder em algum momento. Eu sei que pode parecer meio difícil de acreditar, mas todas as histórias são boas! Claro, você vai encontrar altos e baixos, preferidos e menos gostados, mas a média é altíssima. O elemento mundano abordado nas histórias é sempre muito bom, as relações, a ambientação, os diálogos ou o universo onde aqueles personagens existem, são muito bem retratados e interessantes, chegando até a anular a necessidade de algo “paranormal” acontecer. Mas quando acontece, só acrescenta! Gostei bastante.

A arte é de ninguém menos que Becky Cloonan, que eu adoro! É bem verdade que aqui ela está muuuito no início de carreira, mas, ainda assim, deu pra apreciar com gosto! Ela faz algumas experimentações de estilos, chegando até a parecer que tem mais de um desenhista envolvido, mas não, é tudo ela. A minha edição também conta com uns extras muito interessantes comentando seu processo.

Aliás, a minha edição é um capítulo à parte. Demo foi publicado em dois volumes, em preto e branco. Quando a minha esposa foi viajar eu fui encomendei pra entregar no hotel dela. Aí eu vi que tinha uma edição encadernada completa, com todos os dois volumes, pela metade do preço! “Vou nessa!”, pensei. Avisei que chegaria “só um encadernadinho no hotel dela”, que não ia ocupar muito espaço na mala. Meu amigo…. chegou uma enciclopédia barsa, enorme, parecia uma lista telefônica! Tomei um baita esporro via facetime. Mas valeu a pena.

Tô Lendovantagens
  • Série curta. Seja um volume ou dois volumes, como são one-shots, não é uma leitura de compromisso. Você para quando quiser e se dá por satisfeito.
  • Becky Cloonan. Eu acho muito interessante ver a evolução de um desenhista e suas várias facetas. E aqui ela atira pra tudo quanto é lado.
  • Histórias marcantes. Todas elas. Tenho certeza de que pelo menos uma vai te atingir em cheio!
  • Mistura equilibrada entre realismo e fantasia. Não é sempre que encontramos essa dosagem!
  • Diálogos muito bem escritos.
  • Paguei relativamente barato pelo tamanho da trapizonga
Tô Lendodesvantagens
  • Não saiu no Brasil, nem nunca sairá! Então acho que só em inglês mesmo…
  • Preto e branco. Becky Cloonan faz uma excelente utilização dos contrastes, mas mesmo assim, acho que uma corzinha aqui seria sensacional…
  • O volume único é meio impraticável. Quer dizer, ele não chega a atrapalhar a leitura, mas levar pra ler fora de casa é impossível.
  • Como cada história começa uma trama nova, é preciso de uma atençãozinha a mais do leitor, pra sempre pegar o bonde andando.
  • Embora eu curta muito o trabalho da Becky Cloonan (mesmo nesse livro), ela ainda está aqui anos luz da desenhista que ela viria a se tornar…
  • É bom ter atenção na hora da busca, porque o título saiu pela Vertigo, mas a edição encadernada é da Dark Horse. Acho que as edições da Vertigo são mais raras, por isso mais caras. Então cuidado para não pagar mais caro, nem comprar a mesma coisa duas vezes, acidentalmente!

Ok, esse aí eu duvido que alguém tenha lido. Quer dizer, vou ficar muito feliz se encontrar alguém, mas não quero criar muitas expectativas (eu já sofri demais, sabe? Snif). Mas de vez em quando eu gosto de “voltar à velha forma” e falar daqueles títulos gringos que ninguém conhece! Espero que vocês não me abandonem por isso.

Tô LendoAlgumas imagens!
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2020-07-28T15:30:43+00:00 29 de julho de 2020|0 Comentários