CDC #137 – OBLIVION SONG

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Volta e meia  bato na mesma tecla sobre como é uma pena um quadrinho sensacional, que foi publicado nos EUA, jamais ter a chance de sair aqui no Brasil. Aí aparece uma editora como a Intrínseca e me faz dar com a língua nos dentes!

Quem acompanha meu trabalho por aqui sabe o quanto sou fã do Robert Kirkman. Já escrevi sobre Astounding Wolf-Man, Capes, Invincible, Superpatriot (sim, estou aproveitando a oportunidade fazer o auto-jabá inception e vou adorar contar com os seus comentários por lá também), sempre tecendo inúmeras loas a esse maravilhoso bardo moderno. E eis que antes que eu pudesse reclamar de que sua próxima obra jamais seria publicada aqui, a editora Intrínseca vem e publica a sua próxima obra aqui, me obrigando a falar bem dele novamente!

Depois de encerrar dois enormes sucessos como Invincible e The Walking Dead, seria de se pensar que esse jovem Alan Moore gordinho (tá bom, exagerei… mas sei lá… ambos têm barba) fosse descansar um pouco, investir em projetos televisivos (que aliás devem dar muito mais dinheiro), passar um tempo com a família… MAS NÃO! Ele foi direto de volta para a prancheta e trouxe MAIS uma história espetacular que merece ser conferida por todos: OBLIVION SONG.

Na história, um acidente interdimensional teletransporta um grande naco (não sei se essa é uma medida correta, mas sigamos assim) da Filadélfia para uma dimensão alienígena e um grande naco (mesma medida) dessa mesma dimensão alienígena para o lugar aonde ficava aquele pedaço da Filadélfia. É uma teletranstroca (termo não utilizado no gibi). Caos total, militares tentando combater alienígenas espalhados pelos Estados Unidos, pessoas desaparecidas etc. Num determinado momento, um grupo de cientistas financiados pelo governo descobre como se teletransportar para tal dimensão e começa a fazer missões de resgate. No momento em que começa a revista, essa organização está perdendo seu financiamento e tenta convencer seus superiores a liberar mais grana.

Bem, ok. Isso é só o basicão. A coisa começa a engrossar mesmo quando o protagonista Nathan Cole descobre que algumas pessoas PREFEREM ficar na hostil dimensão aliengínea, ao invés de voltar pra terra, gerando várias discussões interessantes, sobre os valores desequilibrados da nossa vida “normal”. Vale a pena voltar para terra para ficar postando foto no instagram? Comprando coisas caras? Até que ponto devemos alimentar esse sistema? Mais ou menos a mesma discussão que Kirkman abordou no final do seu aclamado The Walking Dead. Sei não, hein? Danadinho esse Kirkman. Todo subversivo, ele!

O que quero dizer com isso é que essa revista tem tudo: ação (afinal, eu mencionei os alienígenas hostils, certo?), intrigas (toda a trama do governo e a revelação da causa do acidente é bem surpreendente) e discussões mais profundas (vide o parágrafo anterior). Tudo isso com a arte ESPETACULAR do Lorenzo De Felici, que eu nunca tinha ouvido falar, que consegue fazer seqüências de tirar o fôlego (lembra dos alienígenas hostis e tudo mais?), além de uma excelente caracterização de personagens, sem aquele clichê de alguns desenhistas gringos onde todos os homens são fortes e todas as mulheres são gostosas. As cores da Annalisa Leoni também são um capítulo à parte, ajudando a ambientar bem os dois mundos coabitados pelos personagens e nos fazendo mergulhar ainda mais no universo criado por Kirkman. Se você não leu ainda, corre lá que vale a pena!

Agora, se você ainda está na dúvida, vamos a algumas vantagens e desvantagens para nortearem a sua decisão.

Tô Lendovantagens
  •  Saiu no Brasil! Êêêê!
  •  Trama realista
  •  Mas nem por isso com menos ação
  •  Uma boa pedida pra quem quer variar do eixo Marvel/DC, sem perder os níveis de adrenalina habituais
  •  Desenhos bacanérrimos
  •  Design de monstros capaz de fazer demogorgons parecerem chiuauas
  •  Me pareceu ser uma leitura bem unissex e uma boa porta de entrada para novos leitores e leitoras conhecerem o universo dos comics americanos.
  •  Apesar de ser uma série on going (que ainda está saindo nos EUA), o segundo volume fecha um primeiro arco de história com louvor. Então mesmo que um pequeno gancho tenha sido deixado no finalzinho da trama, esse é um bom momento pra começar a sua leitura, lendo os dois volumes numa tacada só.
Tô Lendodesvantagens
  •  A série continua saindo nos EUA, então vai saber quão longo será o seu compromisso e a sua espera para ler tudo (um ponto positivo é que a distância entre o primeiro e o segundo volume não foi tanta. Aí cabe aos leitores comparecer nas vendas para o terceiro vir mais rápido ainda!)
  •  As duas edições da Intrínseca não contam com númeração de página, nem quebra de capítulo. Isso é bem capaz de ser culpa do Robert Kirkman, que adora publicar suas histórias assim, vide The Walking Dead. Apesar de amar o sujeito, isso me irrita bastante, porque eu gosto de parar a leitura pra fazer render. Essa ausência de baliza me deixa um pouco perdido.
  •  As edições encadernadas também poderiam contar com as capas originais das edições avulsas, mas não. Aqui é só gibi na veia. Se você quiser ver essas capas, tem que se virar no google. MAS E A PREGUIÇA?
  •  Acho que as capas dos encadernados não fazem jus ao conteúdo da revista, por isso é bem capaz de elas passarem totalmente despercebidas por você numa livraria ou comic shop qualquer pelo seu caminho…

Fico muito feliz com esse lançamento, não só porque é muito bom, mas porque isso também significa mais uma editora trazendo material diferenciado para o nosso mercadinho nacional. Torço com todas as forças para que esse trabalho editorial dê resultado e a gente possa ver mais quadrinhos diferentes por aqui!

E você? Já fez a sua parte? Conta pra mim!

Tô LendoAlgumas imagens!
2020-02-13T13:34:35+00:00 12 de fevereiro de 2020|0 Comentários