CDC #136 – CIDADE SELVAGEM

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Cidade Selvagem é um gibi sensacional que passou duas vezes por debaixo do meu radar, portanto espero que o mesmo não aconteça com você. Mas essa é uma excelente leitura que merece, no mínimo, a sua atenção!

Descobri um certo gosto pelo quadrinho noir lendo Parker, publicado aqui no Brasil pela Devir. Como o Darwin Cook veio a falecer, comecei no meu luto a procurar outros títulos que pudessem sanar essa minha particular sede recém adiquirida.

Foi assim que Cidade Selvagem piscou pra mim do fundo da Loja Mythos. A descrição falava de um detetive com um passado sombrio que é transferido para uma cidade horrorosa, onde coisas horrorosas acontecem cotidianamente e ninguém dava bola. Eu chequei duas vezes, mas não, o nome da cidade não era Rio de Janeiro. Por outro lado, um nome que me chamou atenção foi o do autor: ninguém menos que WARREN F*CKING ELLIS! Sim, o aclamado autor de quadrinhos, habituado a escrever ficções científicas, se aventurando pelo universo do romance policial! A essa altura a piscadela já virou um aceno com um grito impossível de ignorar “OI, OI! Ó EU AQUI! QUER LER ISSO NÃO, GOSTOSO??” – sim, ela foi bem incisiva.

Para aguçar ainda mais a minha curiosidade, a arte era de ninguém menos que Ben Templesmith, conhecido por 30 Dias de Noite e seu imagético perturbador. (Ok, essa parte me deu um certo medinho, confesso, mas o nome “Warren Ellis” me fez seguir em frente)

Que maravilha de leitura! O livro conta com 9 histórias curtas, cada uma com um caso diferente que se soluciona lindamente. Pra quem queria romance policial, não poderia ter acertado mais na veia! A caracterização da cidade e dos personagens é sensacional e a narrativa é extremamente realista, o que, apesar de não combinar com o traço psicótico do Bem Templesmith, gera uma combinação muito interessante. Uma das coisas que eu mais gostei na leitura era o fato de todas as dicas para solucionar o mistério estavam expostas no cenário ou no texto dos quadrinhos anteriores. Então quando você voltava para conferir, as pistas estão todas lá, você só não descobriu porque NÃO É F*DÃO QUEM NEM O DETETIVE RICHARD FELL!

Além do mais, cada caso tem uma pegada bem particular, bastante criativa. É difícil escolher um preferido. Depois de ler o livro todo completamente encantado com o meu achado, eu descobri que além de já ter sido publicado pela Mythos há um tempão, ele também já tinha sido publicado pela Devir há mais um tempão ainda atrás. Quer dizer… QUE PÉSSIMO DETETIVE EU SERIA!

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil  – DUAS vezes!!
  • Por ter sido publicado duas vezes, é bem possível que você encontre o dito cujo em uma promoção largado em alguma esquina (inclusive no momento que eu estou escrevendo isso, eu encontrei um link da Loja Mythos com um exemplar à R$24,90!!!)
  • Volume único! Comprou, completou!
  • Histórias curtas, fazem uma excelente “leitura interrompida”. 
  • Arte bacanuda do Templesmith. Lembra bastante o David McKean.
  • Cada caso que te deixa grudado na cadeira, é um pior do que o outro
  • Warren Ellis fazendo outra coisa do que normalmente é conhecido e mandando bem!
  • Apesar da descrição alardear algo meio “terror”, as histórias são bem pé no chão e eu consegui dormir numa boa. 
Tô Lendodesvantagens
  • Tem alguma coisa no título de não memorável que te faz esquecer rapidamente na hora de procurar
  • A edição da Mythos (a que eu tenho) só tem em capa dura
  • Pra quem procura um terror pesado (sai pra lá, exu) esse pode ser meio “levinho” demais pra você…
  • A lombada e o subtítulo alardeiam um VOLUME UM, que dão a entender se tratar de uma série contínua, mas não é. Acredite, eu pesquisei. O Warren Ellis tinha uma ideia de retomar e tals, mas isso foi em 2006, então relaxa. Nem faz falta uma continuação.
  • Por outro lado, é uma pena ter um só. Se tivesse mais 8, eu leria mais 8.
  • Se você não curte essa onda, a arte do Templesmith pode ser meio esquisitinha…

E aí? Quem já leu essa?

Tô LendoAlgumas imagens!
2020-01-29T13:48:56+00:00 29 de janeiro de 2020|0 Comentários