CDC #120 Hurulla

Hq Hurulla

Hurulla foi mais uma grande surpresa da Santos Criativa Festival Geek onde eu também descobri o maravilhoso Local sobre o qual eu falei aqui numa coluna passada. Mas dessa vez o presente veio diretamente do autor, Clayton Inloco.

Clayton realizou o sonho de todo nerd, que é o de se transformar em um herói de quadrinhos – talvez tenha sido coincidência, mas eu achei o personagem muito parecido com o seu criador! Porém mais do que uma auto indulgência, Hurulla tem estórias muito bem escritas e desenhadas, ideal para os fãs de Conan ou RPG em geral.

O primeiro volume foi publicado pelo selo Devaneio, junto com o financiamento coletivo (todos devidamente agradecidos logo na página de abertura) e conta com três histórias curtas e independentes, no melhor estilo Conan: aventureiro passeando por ali, vê uma torre, resolve subir e pronto – homens pássaros, feiticeiras e confusão. E se você estiver pensando “ah, já li muitas aventuras assim”, eu preciso acrescentar que Clayton consegue dar um tempero muito especial a cada conto, um quê de “brasilidade”, se vocês me permitem, muito interessante. O próprio Hurulla às vezes tem uma falta de paciência que destoa do universo “empolado” da fantasia, que eu acho extremamente engraçada. A ideia de se usar como referência para o protagonista (caso não tenha sido apenas impressão minha) também é muito boa nesse sentido, pois tira o herói do lugar idealizado-musculoso (foi mal, Clayton) e coloca ele num patamar mais humano, ainda que ele tenha todas as habilidades heróicas de seus concorrentes. Eu me senti representado! Me transportou para aquele estado divertido da infância, onde a gente se imaginava no meio da ação e – claro – muito apto para derrotar o vilão e salvar a mocinha (naquela época vivíamos sob a impressão de que as mocinhas precisavam ser salvas). Enfim, tudo isso para dizer que eu achei a leitura muito divertida! O traço do Inloco é excelente, ao mesmo tempo conseguindo fazer expressões realistas, com muita hachura, detalhe e sombreado, mas sem ficar “paradão” na hora da ação (e olha que tem bastante ação). Recomendo fortemente o trabalho desse autor santista, que, apesar de super tímido, tem uma obra eloquente que fala bem alto!

Tô Lendovantagens
  • Quadrinho nacional manufaturado. Comprando você praticamente adota um quadrinista!
  •  Arte irada, cheia de força e detalhe. Tem toda cara de mercado europeu!
  • Excelente inspiração para quem quer mestrar aventuras de RPG
  • Herói com feições humanas normais não idealizadas. Achei isso LINDO! Rs
  • Hsitórias curtas, leitura rápida
  • Tem dois volumes, mas eles podem ser lidos em qualquer ordem, sem compromisso. Eu particularmente gosto mais do que foi feito no formato álbum
Tô Lendodesvantagens
  • Preto e branco (no caso aqui eu acho que até ajuda a arte, mas tem sempre quem reclame, então acho bom avisar)
  • Difícil de achar, se você não estiver procurando. Mas eu vou facilitar a sua vida, colocando o link aqui.
  • O nome Hurulla pode ser difícil de guardar. Então depois de ler essa coluna você pode chegar numa livraria e falar “Oi, eu tava procurando um título…” e o vendedor falar “Pois não, qual era o nome?” e você ficar “Era… ai meu deus, como é que era? Nossa, bem que o Caruso avisou que o nome era difícil de guardar.. Era algo tipo varíola, Uhura, hula hula…” Eu acho que seria mais fácil o protagonista se chamar CLAYTON logo. E assumir a auto homenagem. CLAYTON, O BÁRBARO.  
  • Os dois volumes têm formatos diferentes e eu tenho TOC.

Agora é a sua chance de virar ficção! Me conta aí: se você pudesse ser protagonista de algum gênero da cultura pop, qual seria? Não vamos deixar o Clayton farrear sozinho!

Tô LendoAlgumas imagens!
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2019-06-11T15:40:09+00:00 5 de junho de 2019|8 Comentários