CDC #112 – Open Bar

Início/Caverna do Caruso, Destaques, Leia!/CDC #112 – Open Bar
CDC #112 - Open Bar

Falei aqui um tempo atrás do que eu considero uma brilhante iniciativa da Panini em publicar quadrinho de autores nacionais, quando falei de Xampú. Agora eu quero falar de outra publicação nessa linha que foi uma grande surpresa pra mim, que é o OPEN BAR!

Pra ser extremamente sincero com vocês, o traço do Eduardo Medeiros (roteirista e desenhista da história) não me conquistou logo de cara. Ele tem uma pegada bastante cartum, que, numa folheada, me afasta um pouco, me dando a falsa impressão de se tratar de uma leitura “boba”. Mas aos poucos a trama vai te envolvendo e logo, logo você se sente íntimo dos personagens, a ponto de sentir saudade deles quando a leitura acaba. Vamos do início.

A trama fala de dois amigos que se mudam de volta para a sua cidade natal para administrar o bar do pai de um deles, recém falecido. Entre as confusões para se manter lucrativamente abertos, os capítulos são intercalados com pequenos insight do passado de cada um e vamos descobrindo cada vez mais sobre a relação deles, o motivo de terem largado sua cidade anterior e suas personalidades. Ao final da leitura as revelações já estão nível novela das oito (ou das nove? Nunca sei qual é o horário das novelas), com você largando o gibi pra sair correndo e gritando na sala (ou talvez só que que faça isso, não sei). Muito bom.

O traço que eu falei no início (e já me arrependi) ter me afastado um pouco cresce dentro de você e você começa a entender cada expressãozinha e imaginar exatamente como são aquelas pessoas. É engraçado como algo bem distante da perfeição anatômica te gera uma identificação com esses seres de papel muito além das que eu tenho com muitos conhecidos de carne e osso. É como se o Eduardo Medeiros deixasse espaço para você fazer a sua própria escalação de elenco na sua cabeça.

As cores são trabalhadas minimalisticamente, se eu não me engano sempre com duas, ora azul, preto e branco (isso são 3? O branco conta como cor ou ausência de cor? Sei lá. Preciso lembrar de estudar mais antes de escrever essas resenhas), ora vermelho, preto e branco, ajudando a intercalar os momentos de passado e presente.

Esse é um quadrinho muito sensível que eu gostei bastante e eu queria muito que todo mundo lesse. Vamos às vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Quadrinho nacional! Comprando você estará não apenas ajudando um artista a não morrer de fome, como o mercado editorial do seu país e o Brasil como um todo, fazendo do seu país uma nação forte e soberana, capaz de derrotar a China quando o momento chegar.
  • Texto fluido, com muito humor. Apesar de ser uma leitura bem grande, ela passa relativamente rápido, mas sem deixar aquela sensação de “pouco retorno para o meu investimento”
  • História de gente real. O que eu quero dizer com isso é que sai do nosso batido lugar comum dos super heróis ao qual estamos tão acostumados. Então é um excelente respiro para quem está atolado nesse tipo de leitura e uma perfeita porta de entrada para o universo dos quadrinhos sem precisar de uma enorme contextualização de “em qual Terra estamos”
  • Um volume só. Comprou, completou.
  • Publicado pela Panini, o que significa que não deve ser tão difícil de encontrar por aí
  • Minha mulher adorou!
Tô Lendodesvantagens
  • O traço e as cores podem não resistir bem a uma daquelas folheadas para “saber do que se trata”. A não ser, é claro, que você já tenha chegado lá por ser fã do Eduardo Medeiros, porque aí você vai sem medo (o meu caso agora. Aguardem uma resenha sobre Sopa de Salsicha, seu trabalho anterior que eu também adorei. Agora qualquer coisa que ele escrever eu vou comprar sem nem olhar a sinopse!)
  • As passagens de tempo do passado e presente, podem precisar de um pouquinho mais de atenção do leitor, já que estamos trabalhando com poucas cores.
  • Como é um volume só, você termina a revista super órfão desses personagens. Eu queria uns 8 volumes, com 8 ou 16 arcos de histórias diferentes. Mas eu acho que o coitado do Eduardo Medeiros merece ter uma vida também, né? Não pode ficar só trabalhando para me agradar. Bem que eu queria.

E aí, galerinha? Quem já leu algum trabalho do Eduardo Medeiros? Qual? Curtiu? Nunca leu? O que achou desse aí que eu apresentei, então? Vem conversar comigo, estarei aqui na área de comentários à disposição!

Tô LendoAlgumas imagens!
CDC #112 - Open Bar
CDC #112 - Open Bar
CDC #112 - Open Bar
2019-02-05T16:33:36+00:00 6 de fevereiro de 2019|7 Comentários