CDC #109 – Xampu

CDC #109 - Xampu

Existe uma lei no áudio visual que determina que pelo menos 25% do conteúdo de todos os canais de televisão seja nacional. Eu me pergunto como seria bacana para o mercado de quadrinhos nacionais, se uma lei como essa recaísse sobre as nossas editoras. Qual não foi a minha surpresa ao ver que a Panini, por iniciativa própria, fez um movimento semelhante, sem ninguém precisar obrigar ela a nada! Muito bem, Panini!

Numa leva parecida, as bancas de todo o país receberam Tune8, do Rafael Albuquerque, Open Bar, do Eduardo Medeiros e Xampú, do Roger Cruz. Xampú, inclusive teve três volumes publicados, olha que luxo!

Eu já tinha lido o primeiro volume em outro formato, que eu acho que eu comprei da mão do próprio autor em alguma feira de quadrinhos. Aliás, é bom lembrar que eu já era fã do cara, como bom adolescente dos anos 90 que eu fui, por seus desenhos em X-Men e afins, que eu acha o máximo! Xampú segue por uma linha completamente diferente, muito mais autoral (obviamente), com um Roger Cruz explorando a estilização de seu traço até alcançar outros limites. Gostei bastante.

As histórias são curtas, bem urbanas, e todas (me parecem) baseadas em histórias reais. O segundo volume me encantou particularmente. Parecia um tratado sobre São Paulo. Me lembrou aquelas histórias mais enigmáticas do Laerte de antigamente, com um humor cirúrgico na conclusão de cada historinha. O bacana é que, por se tratarem de histórias independentes, você pode ler um volume solto ou todos na ordem, que ambas as maneiras funcionam. Quando você lê na ordem, o retorno de alguns personagens brindam a sua leitura, mas quando você lê fora de ordem, isso não te prejudica nem um pouquinho.

A estilização no formato dos rostos e corpos de cada um também é algo digno de nota. Ao mesmo tempo que é bastante caricaturado, você tem certeza de que já viu aquelas pessoas antes. Conseguem ser exageradas e reais, não sei explicar direito. Vale a pena conferir.

Ah, e o conteúdo das histórias é bem acessível. Fala de rock, amizade, aceitação, viagens e, é claro, amor. Ou seja, é uma ótima pedida para atrair leitores não habituados ao universo dos quadrinhos, para que eles possam ver que esse universo não é assim tão diferente que a gente vive (como algumas pessoas insistem em pensar)!

Mas vamos às vantagens e desvantagens…

Tô Lendovantagens
  • Saiu pela Panini, por isso não deve ser tão difícil de achar.
  • Só três volumes, ou seja, não é um compromisso muito grande. Alias, você pode ler um volume só se você quiser, mesmo que seja o do meio ou o último. Não precisa nem esperar achar os outros.
  • Quadrinho nacional sempre precisa do seu apoio!
  • É muito bacana se sentir representado, vendo cenários reconhecíveis nos quadrinhos. Parece que a gente faz parte do mundo!
  • Traço bacanésimo do Roger Cruz
  • Leitura bem ágil, não vai ocupar muito tempo a sua pilha de leitura.
  • Excelente para meninos e meninas!
Tô Lendodesvantagens
  • Eu acho o segundo volume muito melhor do que os outros. Então talvez você ache o primeiro só OK e acabe não procurando os demais. Pega o segundo, vai por mim.
  • O traço é todo preto e branco. Não é uma desvantagem pra mim, mas a minha mulher reclamou.
  • Às vezes as imagens podem ficar um pouco confusas para um leitor de primeira viagem. Como tem muito roqueiro cabeludo na história, tem chance de você se confundir. Então é bom ler com uma atençaozinha extra.
  • A leitura pode ser um pouco rápida de mais. Se você é do tipo que “quer mais pelo seu dinheiro”, pode sentir uma certa frustação, caso tenha que pagar caro por elas. Por outro lado, essa é uma daquelas que pede uma relida de tempos em tempos. Ou seja, você terá retorno do seu investimento pela vida toda!!

Agora eu quero saber a opinião de quem já leu Xampú e, pra variar um pouco, eu queria saber também: quem eram seus desenhistas preferidos nos anos 90? Vamos falar de quadrinhos!

Tô LendoAlgumas imagens!
CDC #109 - Xampu
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2018-12-05T14:26:36+00:00 5 de dezembro de 2018|5 Comentários
  • Jean Carlos

    Se tratando de Roger Cruz já é uma puta de um dica, eu gostava muito do Mike Wieringo pra mim foi um dos melhores desenhistas do Quarteto Fantástico, Steve Dillon, John Romita, Jr e Pai e outros a lista é grande não da pra dizer um favorito tinha muito cara bom na época.

    • Já adianto então a próxima dica, que é o último trabalho dele, “A Irmandade Bege”. Achei bem legal também, daqui a pouco deve sair uma resenha por aqui. Mas é importante ressaltar que, assim como Xampú, o estilo dele está bem diferente da sua época de X-Men na Marvel.
      Ah, e eu também era fã do Mike Wieringo! Quando puder, dê uma lida na coluna sobre Tellos, o último trabalho dele antes de falecer! Me amarrava muito!

  • leandroricardo

    A primeira vez que li essa história (uma parte da primeira edição) foi na Metal Pesado.
    Era ainda mais estilizado o desenho. Para Devir o Roger fez algumas modificações.
    Estou seco querendo pegar a caixa com as 3 edições da Panini.
    Vale muito a leitura!

    • Taí, Leandro! Não sabia que tinha saído na Metal Pesado! Boa lembrança!

  • Somos dois nesses votos! A vontade é de amarrar o Roger Cruz numa jaulinha e obrigar ele a produzir mais 20!