CDC #101 – Tex Patagonia

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CDC #101 - Tex Patagonia

Já falei aqui na coluna sobre A Face Oculta da minha vontade de ler mais fumetti. Boa parte dessa vontade vinha de encontrar vários exemplares de Tex na banca, nos mais variados formatos. Eu sempre pensava: “pô, o cara que gosta de Tex tá feito!” Nunca tinha encontrado um bom ponto de partida para sanar essa minha curiosidade até encontrar TEX – PATAGÔNIA.

Eu tinha feito um trabalho para a Panini, anunciando Guerra Civil II como um âncora de jornal (que aliás, você pode assistir aqui) em uma agência de São Paulo que trabalha com a editora, fazendo release e divulgações dos seus títulos. No final do job (afinal, eu estava em São Paulo, então preciso usar a língua local), tive exatamente essa conversa sobre os quadrinhos italianos com o Lucas, um dos diretores da agência, que me apontou Tex – Patagônia como um bom ponto de partida, visto que havia sido um para ele, que também nunca tinha lido nada do personagem. Aceitei o conselho e embarquei nessa viagem.

E realmente foi uma viagem em mais de um sentido. Primeiro que a caracterização dos lugares é muito bacana e te coloca dentro da história. O desenhista é muito consistente e lembra uma época mais áurea dos quadrinhos, cujo o foco era mais contar a história do que exibir seu estilo. Isso leva ao segundo sentido da viagem: a própria leitura tem um ritmo muito particular, que remete a essa época mais simples. Os enquadramentos são todos cinematográficos, nada de ângulos malucos, é tudo bem careta (e eu digo isso no melhor dos sentidos), parece que você está vendo um filme. Mas ao mesmo tempo não parece que você está vendo um filme, pois nenhum filme seria tão longo. Então parece mais uma série. Mas ao mesmo tempo não parece uma série, porque a série teria sempre uns ganchos e uns clliff hangers forçados no final de cada episódio. Então eu não sei o que parece. Acho que parece quadrinho italiano mesmo. Gostei bastante. Um jeito calmo de desenvolver a trama. Taí, parece um livro! Esquece tudo que eu falei, desculpa, parece um livro.

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A trama é a seguinte: Tex desce dos Estados Unidos com o seu filho para ajudar um amigo na Argentina, a lidar com índios rebeldes na região. Logo Tex vê que seu amigo não está do lado certo da situação e se posiciona a favor dos índios. Tudo isso é feito com muita paciência, apresentando bem as personalidades de cada personagem e dando bastante espaço para fazer um passeio cultural e histórico bem interessante, ainda que de maneira inocente, sem se aprofundar muito.

Muito difícil você terminar a história sem querer acompanhar as desventuras desse personagem e, principalmente, tentando entender como essa gente fazia pra descer dos Estados Unidos até a Argentina a cavalo.

Acho que eu estou fazendo um péssimo trabalho nessa coluna hoje, mas a questão é que: eu gostei. Gostei bastante. Acho muito curioso como os italianos escrevem quadrinhos como se fossem americanos, abordando outras culturas, que não são nem europeias! Não tem um desgraçado da Itália na história toda! E, independente disso, a trama é instigante, te prende e diverte. Super recomendo! Vamos às vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Saiu na Brasil, mais de uma vez. Essa que eu li foi da coleção da Salvat, o que signifca que: 1) não é difícil de achar 2) Já tem o arco fechado no encadernado!
  • Desenhos realistas muito legais!
  • Passeio cultural bacana
  • Uma boa maneira de conhecer esse personagem (a história acaba falando bastante sobre o back ground e a personalidade do protagonista, bem como seus principais amigos e aliados)
  • Colorido! As histórias do Tex em sua maioria (pelo menos as que eu vi por aqui) costumam ser preto e branco. Essa aí é coloridaça. E com aquelas cores mais chapadas deliciosas dos gibis de antigamente, da década de 70/80. Me amarro!
  • Formato americano, o que é ótimo para apreciar o traço e fazer a devida imersão visual
Tô Lendodesvantagens
  • Você tem uma leve sensação de ver uma versão “romantizada demais” em tudo. Se você é daqueles que procura uma representação real, nua e crua dos fatos, essa pode não ser a leitura pra você. O camarada é um caubói de camisa amarela e lencinho no pescoço, pô! Me lembra o Marty McFly se vestindo pro velho oeste no De Volta Pro Futuro 3, que todo mundo ri da cara dele.
  • Acho que o leitor tem que se adaptar ao ritmo da narrativa imposto pelo roteiro. Tem uma pegada meio leitura de aposentado no banco da praça, se é que você me entende…
  • Essa coleção da Salvat é daquelas que forma uma imagem na lombada. Então se você quer experimentar só essa leitura (que é o volume 3, mas pode ir sem medo, pois é uma história fechada e independente, a ordem numérica dos encadernados não importa), você vai ficar com uma tripinha solta de imagem que não combina com mais nada na sua estante. MAS É PRECISO RESISTIR A ESSA ARMADILHA!!!

Gostaria de saber se existem leitores de Tex entre nós e que outras boas leituras desse personagem, sem vínculo cronológico (e de preferência em cores, num formato grande) vocês me indicariam?

No mais, até a próxima e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
CDC #101 - Tex Patagonia
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2018-08-06T17:38:17+00:00 15 de agosto de 2018|13 Comentários
  • Willer marcos

    Valeu,Caruso! Meu nome é em homenagem ao personagem e nunca soube por onde começar a ler Tex!

    • Caraaaaaaca! Tá brincando?? Que maneiro!!! Cara, pode fazer as malas e preparar a sua viagem pra Patagônia com o seu xará que você vai ficar orgulhoso do seu nome!

  • Tito Camello

    As histórias do TEX são muito boas. A grande vantagem dos gibis do personagem é que as histórias não possuem uma ordem cronológica bem definida que te impede de acompanhar caso você leia alguma edição aleatória, como geralmente acontece com os comics. Você pode pegar qualquer edição de TEX (das coleções Gigante, Anual, Ouro, Platinum, Salvat, etc) e mandar bala porque ela normalmente se encerra em si, e vai servir perfeitamente como ponto de partida. A exceção é o Tex Mensal, cujas histórias costumam ser divididas geralmente em duas ou três edições.

  • Ricardo Varotto

    Tive uma revista aqui e outra ali do Tex quando criança, mas Tex sempre me lembra daqueles livros de bolso de histórias de faroeste (pulp fiction mode: ON) que o meu pai lia. Sempre havia vários espalhados pela casa. https://uploads.disquscdn.com/images/80739229d2949abdbc18ab7202f7349183694f5abd0a2a6422db721a5215ecf0.jpg

    • Hahahaahah Caramba, que interessante, Ricardo! Você chegava a ler essas histórias? Eram legais??

      • Ricardo Varotto

        Nunca li nenhuma. Acho que na época a minha parada era mais quadrinhos e Coleção Vaga-lume mesmo. 🙂 Mas meu pai gostava muito do assunto. Me lembro de sempre ir com ele nos fins de semana fazer compra nas Casas da Banha (data de nascimento antiga mode: ON) para voltarmos a tempo de ver a Sessão Western, que passava à tarde na Globo, antes do programa do Chacrinha.

        P.S.: Eu sempre chamei de Sessão Faroeste até trinta segundos atrás, quando fui pesquisar no YouTube e achei a entrada, que posto a seguir. Coisas da memória…

        P.S.2: Sempre que eu ouço falar no Tex penso em criar um personagem, provavelmente um espião, chamado Tex, John Tex. Acho que seria um personagem que teria muita entrada.

        https://www.youtube.com/watch?v=eJWUTRhfNFY

  • Léquinho Maniezo

    Acho que uma das poucas leituras que eu fiz de Tex e que eu posso recomendar é uma edição dessas grandes que, se não me engano, saiu faz algum tempo, e tinha desenhos do Goran Parlov. Eu lembro que o antagonista chamava Jesus Zane e o desenho era excelente. Vou ver se acho essa edição ai para comprar, TEX tem realmente esse tipo de leitura que demoooora, mas é bom, parece até slow cinema ou lo fi, é bom, as vezes a gente lê muito super herói e se acostuma com o ritmo AAAAAAAAAAAAAAAAAA de tudo (a menos que seja o Bendis escrevendo Superman.)

    Ótima coluna mi amigo, um abraço!

    • Goran Parlov é sensacional! Se eu não me engano ele desenhou também o recente Starlight, do Mark Millar, que eu falei aqui na CdC #94. Cara, se você não leu ainda, vale bem a pena, a arte é SHOW. (Tô vendo muito Choque de Cultura)

  • Gustavo Nascimento

    Boa indicação Caruso! Li bastante Tex e outros fummetti na época que larguei mão da Marvel e DC mensal ( época do formato Premium da Abril) e gosto bastante. De Tex sugiro pra você qualquer edição de Tex gigante que em geral são histórias muito boas e com os melhores desenhistas. Agora se você gostou de Tex e achou muito romantizado e “limpinho ” (O que também acho), você precisa ler Ken Parker, qualquer volume. As histórias são bem mais profundas e realistas algumas delas verdadeiras obras de arte. É um pouco obscuro, caro e difícil de achar alguns volumes, mas pra você que é um caçador de quadrinhos obscuros profissional vai ser tranquilo!
    Um grande abraço!

    • Show, Gustavo! Eu já li um Ken Parker alguma vez em algum momento da minha vida, mas não lembro qual foi. Eu lembro que era na neve e o protagonista parecia o Robert Redford (ou talvez a minha cabeça tenha feito uma escalação de elenco involuntária, rs). Procurarei outras edições!
      Quanto aos fumettis, também indiquei aqui o Face Oculta, na Caverna do Caruso #89 (você pode acessar pela Lista Completa, ou dando scroll down até aparecer). Ia adorar saber a sua opinião! Absssss

      • Gustavo Nascimento

        Você está certo o Ken Parker é inspirado mesmo no visual do Robert Redford, mais especificamente num filme dele pouco conhecido chamado “Mais forte que a vingança “. Vou dar uma conferida sim na sua indicação de “A face oculta” que ainda está na minha pilha de leitura.

  • Matheus Gomes

    Sempre vi Tex nas bancas de jornal, mas nunca tive coragem de comprar, apesar de sempre me atrair um pouco. Esta ai o incentivo que precisava rsrsrs