CdC #10 – XIII

CdC #10 - XIII Jean Van Hamme William Vance

Olha… eu não dava nada por essa revista. Essa é uma daquelas que você folheia algumas vezes e bota de volta rapidamente no lugar. Parece indicação de leitura do seu avô ou do seu pai, sabe? Mas, vale o investimento, confia em mim!

XIII é um álbum europeu escrito por Jean Van Hamme e desenhado por William Vance. A trama conta a história de um homem amnésico que aparece numa praia com uma tatuagem no pescoço do número 13 em algarismos romanos. Ele é acolhido por um casal idoso, tipo Martha e Jonathan Kent, e tenta reestabelecer a sua vida, criando uma nova identidade. Porém isso dura pouco, porque ele é logo perseguido por mercenários que querem a sua morte – sem ele nem ao menos saber por que. O enredo segue em um ritmo non stop, com o protagonista tentando descobrir sua identidade ao mesmo tempo que várias entidades – criminosas e governamentais – tentam descobrir seu paradeiro. Tudo vai escalonando até alcançar um nível de conspiração global, sem nunca perder o realismo.

CdC #10 - XIII Jean Van Hamme William Vance

Qualquer semelhança com Identidade Bourne não é mera coincidência: o quadrinho e o filme têm a mesma pedra de roseta, foram inspirados pelo mesmo livro. Então se você curtiu o enredo de Identidade Bourne, pode ter certeza de que você vai se deliciar viver na pele de XIII por meses a fio.

Aliás, a arte do William Vance é tão impressionante e cheia de detalhes, que te faz acreditar que você está nos lugares que ele propõe estar. O mesmo acontece com a caracterização delicada das pessoas, desde suas feições, até seus estilos particulares de roupa e cabelo, que ajudam também a caracterizar toda uma época. Um dos capítulos, que se passa numa pequena cidade na neve, é tão bem retratado, que me deixou até hoje com vontade de esquiar.

A história e os diálogos tem ares de filmes de conspiração e espionagem presidencial dos anos 70/80. Algo do tipo Quebra de Sigilo (Sneakers) e Todos os Homens do Presidente (aquele sobre Watergate, lembra?), Inclusive, chega a dar uma leve impressão de que o Robert Redford vai aparecer a qualquer momento na revista.

Alguns motivos para aceitar minha palavra e ler XIII o quanto antes:

Tô Lendovantagens
  • É quadrinho europeu. Não importa o que você esteja lendo, “quadrinho europeu” sempre soa mais culto que “quadrinho de super-heróis”.
  • É uma leitura que respeita a inteligência do leitor. Ele não te entrega as coisas de mão beijada, nem fica over-explicando as coisas. É bom você estar ligado, para acompanhar a históra.
  • Foi publicado no Brasil pela Panini! Saiu aqui de 1 a 9, cada edição contendo dois livros da edição original europeia. A única exceção é o volume 7, que equivale somente ao livro 13, que foi uma espécie de edição comemorativa, maior que as outras, com um dossiê loucaço falando de todos os personagens , da trama, etc. Esse próprio dossiê vira um personagem nas edições seguintes. De qualquer forma, os caítulos de 1 a 17 foram todos publicados aqui e podem estar mais perto de você do que você imagina.
  • Apesar das teorias de conspirações malucas, a trama e a arte são muito realistas, o que vai te fazer acompanhar a história como se fosse uma série de TV muito envolvente.
  • Acho que a edição nacional é uma das melhores já publicadas no mundo todo. A qualidade da página, as cores, tudo salta e faz você mergulhar na leitura. E são relativamente fáceis de se encontrar por aí, nas comic shops nacionais.
Tô Lendodesvantagens
  • É uma leitura que exige de você. Ela tem grandes volumes de texto, muita informação, precisa de uma atenção dedicada. Então não é uma boa ideia ler na cama ou com um pouco de sono, que você vai apagar com certeza. Também não acho uma boa ler tudo de uma vez só, que a sua cabeça estoura. É o tipo de leitura pra ser feita com seu inseparável companheiro, o marcador de livros.
  • Numa primeira folheada, como eu falei, a arte espanta um pouco. Ela é meio dura, cheia de detalhes, lembra um pouco aqueles anúncios de escola técnica que vinham nas revistas de formatinho dos anos 80, lembra? Nossa, aquilo me dava vontade de dar um tiro na cabeça, nunca consegui ler um troço daqueles até o final. Mas, quando você se acostuma com a vibe do cara – e eu te garanto, você vai acostumar logo na primeira página, é só começar – você fica grudado e acompanha cada cena de ação “vovô style” como se fosse verdade!
  • Apesar te ter chegado a mim como uma indicação da minha grandessíssima amiga e ex-namorada Barbara Duvivier, não acredito que essa seja uma história para meninas. Ela é muito militar e um pouco seca, não tem muito espaço para subjetividades. Ainda que eu saiba que não se pode generalizar, eu chutaria que essa não vai ficar entre as preferidas da mulherada. Só da Barbara, que sempre foi um pouco esquisita mesmo.
  • Embora as histórias tenham arcos com finais claros, a Panini não publicou o último número aqui. Então, se você é obsessivo como eu, você vai correr atrás do livro 18, que não saiu no Brasil. Aí é que o caldo engrossa, porque achar isso por aí é muito difícil. Até na internet é difícil de fazer a busca por XIII, ela cai em coisas jurídicas, uns troços nada a ver. O meu último volume eu achei nesse site aqui http://www.cinebook.co.uk/ que entrega revistas da Inglaterra. Mas paguei relativamente caro (80 reais, incluindo frete e a conversão milionária de Libra pra Dilmas) e quando chegou, veio num formato reduzido, que não é o europeu!!! Rapaz, que raiva! Masss, como eu falei, eu sou obsessivo, e queria porque queria, então, sei lá… eu não me arrependo, mas faço a advertência!
  • Os formatos não casam. Isso pode não significar nada pra maioria das pessoas, mas pra mim, que tenho TOC, é enlouquecedor! O formato da Panini não é do mesmo tamanho que o formato europeu, que por sua vez tem um formato pra capa dura e um pra capa mole, sem contar com esse formatinho mesquinho dos p**** dos ingleses, que não existe em nenhum outro lugar na face da terra. Então, meu conselho é: compra tudo pela Panini e depois se vira. Ou então viaja pra Portugal e tenta comprar todos (do 1 ao 18) lá. (A série continua depois do 18 também, mas muda o autor, muda o desenhista e eu não li. Então sei lá. Eu considero a série “cânone” do 1 ao 18).

Bem, espero ter incutido uma novidade entre as suas predileções! É sempre um prazer compartilhar boas leituras! Se tiver alguma opinião ou dúvida, deixe aí embaixo no muro de recados que assim que puder, responderei com o maior prazer! Até a próxima!

Tô LendoAlgumas imagens!
CdC #10 - XIII Jean Van Hamme William Vance
CdC #10 - XIII Jean Van Hamme William Vance
CdC #10 - XIII Jean Van Hamme William Vance
CdC #10 - XIII Jean Van Hamme William Vance
CdC #10 - XIII Jean Van Hamme William Vance
CdC #10 - XIII Jean Van Hamme William Vance
2018-02-21T14:57:37+00:00 14 de fevereiro de 2018|30 Comentários
  • Gustavo Nascimento

    Essa série é muito boa. Comprei todos os volumes da Panini que na época estava publicando alguns quadrinhos europeus. Fiquei tb com muita raiva de não terem terminado essa série faltando um único número! Na época publicaram Blueberry que também era foda.
    Caruso se tiver um tempo tenta achar algum volume de Ken Parker, um quadrinho italiano de cowboy mas que foge muito do padrão. É em preto e branco mas um dos melhores quadrinhos que já li. Abçs

    • Ricardo Ferreira

      Baita dica, Gustavo! Me apaixonei também por Ken Parker! O texto do Berardi é muito agradável, como escreve bem! Pena que é difícil achar as edições e as edições disponíveis custam um rim ou duas córneas.

      • Desculpa entrar aí no meio da conversa de vocês, mas eu andei lendo uns Texs coloridos em formato album europeu e aquele outro formato capa dura da Salvat e gostei bastante!! Já leram isso?

        • Ricardo Ferreira

          Algumas edições capa dura de Tex me agradaram bastante. Mas algumas histórias me cansaram, esse “western bang-bang” do Tex não é meu forte. Mas o Ken Parker é diferente! Tem um roteiro maravilhoso do Giancarlo Berardi (como escreve bem!) que também é o autor das incríveis histórias da criminóloga Julia Kendall, um baita personagem e que merecia um formato maior para leitura!

          • Taí, Julia Kendall foi a minha primeira tentativa de incursão no universo bonelliano e não rolou pra mim. Só foi rolar novamente mais de uma década depois, com a Face Oculta.

    • Siiim! Já li Ken Parker! Mas li uma edição colorida dele, na neve, muito boa!

  • Nas Fnacs da Europa saiu uma edição completa com todas as edições numa caixa show demais. Só faltou espaço na mala e peso pra trazer. Hoje em dia é mais difícil de achar.

  • Leo Xavier

    Caruso do céu! To querendo pernas XIII faz muito tempo, mas toda vez que vou Oran pegar, entra outra coisa na fé frente! Acho que essa review sua era o que faltava pra começar a ler isso de uma vez! Vc comprou suas edições em sebo? Abração!

    • Comprei a grande maioria em lojas de quadrinho brasileiras (o grosso da minha coleção é da Panini). Teve um volume, inclusive, que eu lembro carinhosamente de ter comprado na Itiban de Curitiba!

  • Ricardo Ferreira

    Opa! Essa dica de quadrinho é excelente! XIII é muito bom!

    Eu sou mais obsessivo que você e não me orgulho disso. Comprei os dois volumes seguintes aos da Panini na Amazon e achei a versão inglesa uma bosta. Com isso, importei os seis volumes que faltam da Livraria Bertrand, em Portugal. As edições portuguesas são magníficas, formatão magazine, e cada edição traz dois albuns. Ou seja, com apenas 3 edições eu matei o que faltava da série.

    Recomendadíssimo!

    • Uaaaaau! E foi além da mudança dos autores? Sai o desenhista, não é isso? Me conta aí! Foi bacana o desfecho?? Vale a pena???

      • Ricardo Ferreira

        A última edição publicada pela Panini foi o volume 17. O volume 18 é desenhado pelo Moebius (usando o nome de Jean Giraud, pois ele desenha no mesmo estilo do W. Vance). É uma baita história, mostrando o que aconteceu antes da primeira edição, esclarecendo uma porrada de coisa. Aí vem o volume 19, com a dupla Vance & Van Hamme para fechar a série original. E o fechamento é redondinho e bem Jason Bourne mesmo. Se você ler até aí vai ficar feliz bagarai e ter a história – aquela que importa – todinha.

        Quatro anos depois do volume 19, a série é continuada (cinco volumes, do 20 ao 24) mas com outro autor (Yves Sente) e um novo desenhista (Youri Jigounov). O W. Vance faz apenas algumas páginas em flashback no volume 20). Destes cinco volumes eu li apenas o 20 e o 21, e a pegada é basicamente a mesma. Não me arrependi de comprar, mas quem não leu também não perdeu nada assim demais.

        E ainda existe um spin-off (XIII Mystery), que continua sendo publicado e que já tem 11 edições publicadas na França (a 12ª está prevista para junho), e apenas o primeiro volume foi traduzido para o inglês. É uma série bem interessante, supervisionada pelo Van Hamme, mas cada volume tem uma equipe diferente (tem uma escrita pelo Fabien Nury!) e retrata o passado de um coadjuvante diferente da série original. Essa série só em francês mesmo.

  • Capitão CoruJão

    Fotonovela, Caruso?

  • Bruno Messias

    Ah, cara… aí é sacanagem da editora! Não tem o último número lançado? Queria muito ler isso, mas aí desanima. Vou correr atrás, mas só se encontrar a coleção inteira.

    • Pois é… Mas vou dizer que ela tem momentos de final de arco, tipo uma série. Se você for comprando e lendo, um a um, pode achar um ponto bacana para interromper sua leitura sem aquela adorável sensação de coito interrompido.

  • Strider_Tag

    Não lì XIII ainda (tô pra descubrir os 2 primeiros volumes), mas um que eu recomendo é Largo Winch, do mesmo time (Vance & Van Hamme).

    • Beeeem lembrado!!! Já me falaram dessa série também, uma boa maneira para os que ficadam orfãos da série reviverem-na! Irei atrás, valeu pela lembrança!

  • Léquinho Maniezo

    Porra esse negocio dos formatos que não encaixam é uma desgraça, lembra umas revistas que saiam há um tempo, de super-heroi mesmo, com um formato esquisito que não da pra enfiar em lugar nenhum (nem naquele).

    BOM! Falando da revista agora. Porra… que arte hein, nossassenhoura, coisa bonita dessas, causa inveja (e faz qualquer um que tenta desenhar se sentindo meio bosta), mas que da vontade de ler dá. Vamos ficar de olhos pra ver se surge uma oportunidade de comprar, nunca tinha ouvido falar na minha vida inteira.

    Ótimo texto como sempre, caprichou nos pontos fortes pontos fracos hoje! Abração!

    • Porra, lembro! Você tá falando de quando a abril resolveu deixar o formatinho mais comprido? Meio proporcional ao formato americano, mas ainda formatinho?? Agonia dos diabos. E eu também tinha umas HQs de Star Wars da Coquetel, se não me engano, que pareciam um encarte de propaganda. Bicho, que tristeza!

      Fico feliz que você tenha gostado da revista e do texto, meu camarada! E mais feliz ainda por ter tirado um tempinho pra rabiscar aqui na área de comentários novamente! Se esbarrar com XIII por aí, e adquirir, volte aqui para deixar suas impressões! Forte abraço!

      • Léquinho Maniezo

        Nossa… eu tinha essas revistas do SW, q desgraça, as capas eram horriveis. Q terror.

        Opa, sempre que der tamos ae 0/

  • Fábio Ochôa

    Poutz, Caruso, quando a Panini lançou aquela cacetada de graphics europeias (e infelizmente todas naufragaram), XIII foi um dos títulos que eu optei por não arriscar, justamente pelos desenhos Instituto Universal Brasileiro, que fizeram eu torcer o nariz legal para os álbuns. Pelo que estou vendo da coluna, foi um ledo engano. Aliás, um muito bom que veio na mesma leva é o Aldebarán, tem o mesmo problema, desenhos nada interessantes (por sinal, feitos por um brasileiro que mora na França, Leo) mas eu nunca vi um mundo alienígena tão convincente, parece realmente algo 100% alienígena.
    Aliás, a título de curiosidade, sabia que existe um (curtíssimo) crossover entre Asterix e… XIII? Feito pelos mesmos autores da série de álbuns do desmemoriado. É um mundo estranho, Caruso.

    • MENTIRA!!!!! Caraca, como assim???????? Fábio, você sempre traz uma luz nova para o mundo que eu achava já ter sido inteiro iluminado!!!!

      • Fábio Ochôa

        Pois então, Caruso, tem uma edição curiosíssima lançada pela Record, chamada Asterix e Seus Amigos (ou algo assim). Acho que há uma década atrás e vale a pena ter na estante, deve estar em catálogo ainda, imagino. Ela saiu em comemoração aos 80 anos do Uderzo, e assim, 34 autores diferentes dão a sua interpretação de Asterix. A maioria deles são europeus, então não conheço, mas tudo indica que são nomes importantes por aquelas bandas franco-belgas. Tem muita coisa curiosa, Asterix e Obelix pelo traço do Milo Manara (com uma romana Manaresca que resolve ir lá sovar os gauleses porque eles estão acabando com o estoque de homens em Roma, eheh), pelo traço do David Lloyd, o que é tão bizarro quanto parece e até uma historieta com traço do Stuart Imonnen com Krypto participando de uma história junto com Ideiafix. Imonnen desenha bem qualquer coisa. O – vá lá – crossover com XIII acontece nesse álbum, onde um homem desmemoriado chega através do mar à vila gaulesa repetindo o tempo todo – em inglês – “Who I am?”e “XIII”. É escrita e desenhada pelos mesmos autores da série.

  • Carlos Pinheiro

    Li.

    • Maravilha! Depois, quando tiver um tempinho, diga o que achou! Abs