CDC #06 - Domu – A Child´s Dream

Se você ainda não leu Akira, você nem deveria estar aqui, porque essa coluna é para iniciados. Agora, se você leu Akira, você TEM que conhecer esse outro trabalho do Katsushiro Otomo. E aproveita e mostra pra quem ainda não leu Akira, porque eu acabei de expulsar dessa coluna, não sei mais como faço pra entrar em contato novamente.

Bem, vamos lá, comecemos do começo. Domu é um volume fechado, do mesmo autor de Akira. Eu arriscaria dizer que a história é tão boa quanto. A diferença que Akira é uma história mais épica, mais longa (e talvez, portanto, mais “bem servida”) e Domu é mais compacta. Faço essa comparação somente porque ambas as tramas parecem se situar no mesmo universo e têm a mesma pegada de uma certa forma.

A história é a seguinte: num complexo habitacional japonês, uma série de mortes misteriosas começam a acontecer. Um detetive é direcionado para investigar o caso. O lance é que o leitor acaba descobrindo a causa das mortes antes do detetive – o que dá uma sensação bastante desesperadora de testemunha ocular impotente. Se você está confiante de que você vai achar esse volume e quer lê-lo no seu estado mais puro, pare essa leitura por aqui e pule para o final das vantagens e desvantagens. Do contrário, o que acontece (sem estragar muito do que está por vir na história) é o seguinte: a gente descobre logo no início que o que está causando essas mortes todas é um velinho f**** d* p**** paranormal, que faz isso só pra se divertir. E ia continuar com a sua diversão perversa tranquilamente, se não tivesse acabado de se mudar pro mesmo conjunto habitacional uma garotinha com os mesmos poderes, que saca logo o que o velinhos está fazendo e manda ele parar. Por isso a comparação com Akira: a partir daí, começa um embate entre os dois no meio do cotidiano das pessoas e das investigações da polícia japonesa. E eu vou dizer… é do grande c@4@/#0!!!

Domu - A Child's Dream

A trama te prende à revista e te faz ler com a mesma tensão de assistir um filme de terror ou suspense! Dá um cagaço do cacete!!! (Ou eu que sou frouxo, sei lá. Descubra por sua conta e risco).

A arte do Katsushiro Otomo é primorosa. Não só ele desenha os prédios como um verdadeiro arquiteto, como ele anarquiza totalmente com os pontos de vistas, fazendo com que você veja cenas incríveis em ângulos humanamente impossíveis. Difícil descrever. Essa é, indubitavelmente, uma obra imperdível pra fãs ou não fãs do Katsushiro Otomo.

Tô Lendovantagens
  • Um livro só. Leu, acabou. Vai poder ler várias vezes e não vai precisar gastar o tempo que se gasta tentando completar a coleção de Akira, que até hoje eu não achei os últimos números publicados pela Editora Globo e tive que completar com uma edição da Dark Horse, nada a ver. (Desabafo, sorry! Mas veio aí a edição da JBC para salvar nossas vidas)
  • Tem um prefácio muito legal.
  • Excelente pra emprestar para os não iniciados em quadrinhos e deixar eles bolados com uma trama melhor do que todos os filmes que eles já viram. É o tipo da obra que mostra como essa arte pode ser – quando bem executada – superior a todas as outras.
  • Se você ainda está esperando para ler Akira, esse pode ser um excelente aquecimento (ok, eu sei que eu disse o contrário no início da coluna, mas o que eu posso fazer? Eu sou uma metamorfose ambulante)
  • Apesar de ser um mangá, ele não é na leitura oriental. Então pra quem tem preconceito com Mangás, pode ler sem medo. Na verdade nem sei se pode ser considerado mangá, posto que a leitura é ocidental e ele não tem os elementos clássicos de um mangá. Sei lá. O que diz a regra, Arnaldo? Acho que a regra não é clara.
Tô Lendodesvantagens
  • Sei lá onde vende essapoha! Boa sorte tentando encontrar. Eu encontrei na cagada, se não me engano, num estande da Devir numa Bienal do Livro não sei que ano. Até hoje não acredito na sorte que eu tive. Peguei o livro muito assim “Hmm. Tá quanto? Vou ver qual é. Nhé.” E terminei de ler assim: “UOOOOUUUU!!! WTF?!?!”. Eu acho que ele foi editado pela Dark Horse, então, quem sabe com eles… Boa sorte!
  • É preto e branco. Pra mim não faz diferença, mas tem gente que tem preguiça. O que é uma pena, porque a arte é tão incrível que você nem se liga que é preto e branco. Ele usa muito bem as massas de preto, o detalhamento dos prédios, é uma loucura. Acho até que se fosse colorido ia estragar, porque dessa forma a arte salta ainda mais. Mas tá aí. É preto e branco.
  • É leitura ocidental. Só digo isso porque tem uns xiitas loucos que acham que isso é a maior defenestração da cultura oriental. Então, paciência. E eu também sei que esse não é o uso correto da palavra defenestração, mas eu quis usar essa palavra mesmo assim, porque é uma palavra bonita e impressiona os xiitas.
  • Como é um livro só e a leitura é muito boa, ela passa muito rápido!

Bem, é isso!

Eu nunca encontrei ninguém que tivesse lido ou possuísse esse volume. Então eu desejo muito que você consiga e comente aqui! Queria muito um coleguinha…

Boa sorte e boa leitura!

Tô LendoAlgumas imagens!
Domu - A Child's Dream
Domu - A Child's Dream
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